Dormir mal de vez em quando é algo que quase todo mundo conhece. Mas quando essas noites difíceis se tornam rotina, o quadro merece atenção.
A insônia afeta cerca de 73 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), e dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que 72% dos brasileiros sofrem com algum distúrbio do sono. No plano global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 40% da população mundial convive com esse tipo de dificuldade. Mais do que uma noite difícil, a insônia pode ser o reflexo de questões físicas e emocionais que merecem avaliação médica.
A insônia é definida pela ABS como a dificuldade persistente para iniciar, manter ou consolidar o sono, que ocorre ao menos três vezes por semana e compromete as atividades do dia seguinte. Ela se divide em dois tipos: a insônia aguda, passageira, associada a um estressor específico, como um período de tensão no trabalho ou um problema pessoal; e a insônia crônica, que persiste por três meses ou mais e pode durar, em média, três anos sem o tratamento adequado.
As causas são variadas e, muitas vezes, se combinam. Fatores emocionais como ansiedade, estresse e depressão estão entre os mais frequentes. Mas condições físicas também entram nessa equação: doenças crônicas com dor, alterações hormonais (como as da menopausa), hipertireoidismo, doenças neurológicas e o uso de certos medicamentos podem prejudicar o sono. A ABS aponta que pessoas que dormem mal por longos períodos têm 2,5 vezes mais risco de desenvolver ansiedade ou depressão, reforçando o ciclo que a insônia pode criar entre corpo e mente.
O clínico geral como ponto de partida
Diante de tantas possíveis causas, a dúvida sobre a quem recorrer é comum. O ponto de partida ideal é o clínico geral. Esse profissional realiza uma avaliação abrangente da saúde do paciente, investiga fatores físicos e emocionais que possam estar na raiz do problema e, quando necessário, encaminha ao especialista mais adequado, seja neurologista, psiquiatra, pneumologista ou outro.
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“Muitas vezes o paciente não percebe que a insônia está na origem de sintomas como cansaço crônico, irritabilidade e dificuldade de concentração. O clínico geral tem um olhar abrangente que permite identificar essas conexões e orientar o caminho mais adequado para cada caso”, explica Lucas Martins, clínico geral do HSVP.
O diagnóstico da insônia é essencialmente clínico, construído a partir de uma história médica detalhada. Relatar ao médico há quanto tempo o problema persiste, o que parece piorá-lo e como ele afeta o cotidiano é fundamental para guiar a investigação.
Cuidar do sono é cuidar da saúde como um todo. Quando a dificuldade para dormir começa a afetar o humor, o desempenho e o bem-estar, já é hora de conversar com um médico. No Hospital São Vicente de Paulo, esse cuidado começa por uma escuta genuína: entender o que está por trás de cada queixa, por menor que pareça, para oferecer a resposta mais adequada a cada pessoa. Afinal, dormir bem não é luxo. É parte essencial de uma vida com saúde.
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