O mundo está mudando a forma como enxerga e se relaciona com o tabaco – e essa mudança pode salvar milhões de vidas. Em abril de 2026, o Parlamento do Reino Unido aprovou uma lei histórica: a Tobacco and Vapes Bill, que proíbe a venda de cigarros e vapes para qualquer pessoa nascida a partir de 1º de janeiro de 2009, e a partir de 2027, a idade mínima para compra de tabaco sobe um ano a cada ano.
A decisão tem como objetivo criar uma geração permanentemente livre do tabagismo, refletindo décadas de evidências científicas que comprovam os prejuízos causados por esse vício à saúde, como câncer de pulmão, infarto, AVC, enfisema pulmonar e bronquite crônica.
No Hospital São Vicente de Paulo, acreditamos que informar é a primeira forma de cuidar, e é por isso que trazemos este e outros exemplos como um convite à reflexão e à ação.
O cenário preocupante no Brasil
Dados do relatório Vigitel de 2025 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por inquérito telefônico), do Ministério da Saúde, revelam que o percentual de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,5% em 2024. Isso representa uma alta de cerca de 25% em um ano ou aproximadamente 19,6 milhões de pessoas. O crescimento do cigarro eletrônico agrava o quadro: em 2024, cerca de 4 milhões de adultos eram usuários de vapes, com maior prevalência entre jovens de 18 a 24 anos.
O prejuízo também é financeiro. Segundo a pesquisa de 2025 “A Conta que a Indústria do Tabaco Não Conta”, do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o tabagismo gera ao SUS (Sistema Único de Saúde) custos médicos diretos, por ano, de R$ 67,2 bilhões, o equivalente a 7% de todo o gasto com saúde. Já o lucro bruto da indústria do tabaco no Brasil com cigarros legais, em 2019, foi de R$ 2,7 bilhões, de acordo com a Receita Federal. Ou seja, para cada R$ 1 de lucro da indústria, o Brasil gasta R$ 2,31 com tratamentos diretos.
A boa notícia é que o corpo humano se recupera rapidamente. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, em apenas 20 minutos após o último cigarro, a frequência cardíaca e a pressão arterial já começam a cair. Em um ano, o risco de doença cardíaca coronária cai para metade do de um fumante ativo; em 10 anos, o risco de câncer de pulmão reduz pela metade; e em 15 anos, o risco cardiovascular equivale ao de quem nunca fumou. Mais um motivo importante para investir na conscientização sobre os malefícios do tabaco para organismo.
“O tabagismo ainda é uma das principais causas de morte evitável no mundo, e os números recentes no Brasil nos mostram que precisamos redobrar nossa atenção. No HSVP, tratamos diariamente das consequências do tabagismo, seja no coração, nos pulmões ou em tantos outros órgãos. Por isso, nossa mensagem é de esperança e de encorajamento: parar de fumar é possível, o corpo se recupera, e há ajuda disponível. Se você ainda não deu esse passo, procure apoio”, afirma Dr. Claudio Nunes, Pneumologia.
Largar o cigarro não é simples, mas você não precisa fazer isso sozinho. O SUS oferece tratamento gratuito para cessação do tabagismo nas Unidades Básicas de Saúde de todo o Brasil, com aconselhamento especializado, medicamentos e grupos de apoio. Basta dirigir-se à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, portando um documento de identidade, verificar se a unidade oferece o tratamento e solicitar a inscrição no Programa de Cessação do Tabagismo.
Reforçamos nosso compromisso com a saúde integral da nossa comunidade. Cada pessoa que decide parar de fumar dá um passo corajoso em direção a uma vida mais plena. O melhor momento para buscar ajuda é agora.
Deixar o vício em tabaco é possível e você não precisa passar por isso sozinho. Conte com os especialistas do HSVP!
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