O inverno no Rio de Janeiro não é o do hemisfério norte, com neve e temperaturas negativas, mas ainda assim a pele sente os efeitos desse período do ano. Isso acontece menos pelo frio em si e mais pela combinação de baixa umidade do ar, ventos e mudanças de hábito, como banhos mais quentes. Hoje chamamos a atenção para um ponto que costuma passar despercebido: nem todo ressecamento é igual, e alguns sinais indicam que a pele precisa de avaliação especializada.
Para entender por que a pele resseca no inverno, é preciso olhar para a sua camada mais externa. A superfície da pele é protegida pelo manto hidrolipídico, uma película natural de água e gordura que retém a umidade e barra agressores. Quando a umidade do ar cai e a temperatura diminui, o corpo transpira menos e produz menos oleosidade. A barreira enfraquece, a água escapa em maior quantidade pelas camadas superficiais (a chamada perda de água transepidérmica) e a pele fica mais seca, áspera e sensível. Esse ressecamento comum tem nome: xerose cutânea.
O vento carioca e o hábito de banhos muito quentes agravam o processo, porque retiram ainda mais a gordura natural que sela a umidade.
“No dia a dia do consultório, vemos que muita gente confunde a pele seca do inverno com um problema passageiro, quando na verdade a barreira cutânea está pedindo cuidado constante”, afirma Dr. Eduardo Falcão, chefe do serviço de dermatologista do HSVP.
Quando o ressecamento vira sinal de alerta
A xerose por si só não é grave, e melhora com hidratação e ajustes na rotina. O problema é quando o ressecamento vem acompanhado de sinais que apontam para condições inflamatórias. Na dermatite atópica, por exemplo, a barreira é geneticamente deficiente em ceramidas, e o quadro se manifesta com coceira intensa, vermelhidão e lesões nas dobras do corpo, como a parte de trás dos joelhos e o interior dos cotovelos. Já a asteatose, conhecida como eczema do inverno, surge quando a pele muito seca racha em pequenas fissuras, algo frequente em idosos. A psoríase, por sua vez, forma placas avermelhadas bem delimitadas, cobertas por escamas esbranquiçadas.
O que diferencia o simples ressecamento de uma dermatose é o comportamento da pele. Coceira que tira o sono, vermelhidão que não passa, descamação persistente, fissuras que sangram ou áreas que não respondem ao hidratante são sinais de que a avaliação de um dermatologista se faz necessária. “A pele funciona como um termômetro da nossa saúde. Quando o ressecamento insiste ou aparece com inflamação, ele deixa de ser um incômodo estético e passa a ser um sinal clínico que merece investigação”, explica Dr. Eduardo.
No HSVP, o cuidado com a pele acompanha a mesma lógica que orienta todas as especialidades da instituição: informação clara, diagnóstico preciso e atenção individualizada. Reconhecer a diferença entre o ressecamento típico da estação e um sinal de alerta é o primeiro passo para tratar cada pessoa no tempo certo, com a escuta e o acolhimento que são a nossa marca.

